CASAMENTO COM AMOR

Publicado: 19 de setembro de 2010 em Uncategorized


Não há casamento sadio sem amor. É o amor que dá equilíbrio a todas as outras condições que sustentam as relações de um casal. O amor é a coluna mestra que mantém a estrutura de um casamento e o destina à felicidade. Até a relação sexual só tem significado se for praticada em amor.
O amor é uma escolha consciente e livre. Não pode ser fundado na ignorância, nem na imposição. Autoridade e força não têm sentido algum para o despertar, conquistar ou conservar. O amor é voluntário, espontâneo. Só a bondade, cortesia e apreciação podem fazê-lo brotar. Ele nasce, cresce e floresce numa atmosfera de tranquilidade, aceitação e paz.
Como uma escolha consciente e livre, o amor precisa de ser cultivado com paciência, esforço e perseverança. Flui quando, espontaneamente, permitimos que evolua. Depende de cada um e, parcialmente, da atitude do outro para connosco. Então ele cresce na conjugação do eu com o outro. O outro não pode ser forçado, mas eu preciso de me esforçar para que as portas da comunicação estejam sempre abertas para ele. Só posso cuidar de mim mesmo. Posso usar o meu poder e energia para me encorajar rumo ao meu cônjuge, mas não posso dominá-lo ou manipulá-lo.

O amor é uma virtude que o ser humano não pode represar dentro de si. É uma força
dinâmica que requer exteriorização. Precisa de ser revelado para a esposa e para o
marido. É a palavra que precisa de ser dita bem alto, acompanhada de acções práticas.

Atração e Amor

Se é verdade que o amor cresce, então ele precisa de tempo. Não acontece de uma hora para a outra, à primeira vista. Aliás, essa ideia está muito longe do que é verdadeiramente o amor. Pode haver uma atracção, mas o amor é cultivado ao longo de anos de convivência.
Muitas pessoas casam por razões que não têm nada a ver com o amor. Algumas delas são: pressão da sociedade, pressão dos pais, procura de segurança económica, controlo sexual, idade, porque todos casam, etc.. Mas o que importa é que, independentemente da razão porque se casam, as pessoas podem crescer em amor, qualquer que seja a razão, houve atracção mútua. E isso aconteceu porque elas se viram, se aproximaram uma da outra, conversaram, se abraçaram, se beijaram.
Então podemos concluir que há um mínimo de esperança de que possam fazer crescer a chama do amor dentro de si mesmas. Os ventos podem soprar com mais força, a lenha pode estar verde ou molhada, e a boca do fogão, entupida. Mas é possível, com esforço, perseverança, dedicação e harmonia, deixar o amor crescer.

O Perigo da Manipulação
Quando um casal se une, ele cresce em manipulação ou amor, dependendo da escolha que faz. Na manipulação, o jogo (embora não goste desta palavra) é de cartas escondidas; a vitória de um é a morte do outro. No jogo do amor, as cartas estão abertas. Quando um ganha os dois vibram; é a celebração da vida. É lamentável como a mesma relação pode conduzir a resultados opostos. Depende de como os parceiros optam por conduzir o processo. Muitas vezes, ofuscados pelo estilo de vida anterior, não descobrem, senão muito tarde, o mal que estão a fazer.
Na manipulação, como o próprio conceito indica, o indivíduo dá forma com as próprias mãos, de modo que o objecto assuma a forma que deseja. Ele tem um modelo em mente e vai engendrando as coisas de acordo com as intenções. No contexto do casamento, o cônjuge é tratado como se fosse uma coisa inanimada, sem vontade, sentimentos e necessidades. O princípio que governa a relação não é a clareza típica da honestidade, mas a obscuridade típica do engano. Mas o outro não percebe. Na manipulação, as palavras não têm significado, as promessas não são cumpridas e o diálogo é cada vez mais recheado de desculpas, acusações e justificativas próprias. E assim as pessoas vão murchando, morrendo prematuramente.
É possível saber se se é ou não manipulador no casamento, observando, simplesmente a importância que se atribui ao cônjuge. Se se acha que ele é menos importante do que nós, então somos manipuladores. Se se acha que ele é mais importante, então a manipulação existe, da nossa parte ou da dele. Se a importância atribuída a ele é a mesma para os dois, então há uma relação de amor.

Entrega Total
O crescimento em amor, no casamento, é o oposto do crescimento em manipulação, pois o amor abrange a totalidade do ser. É uma resposta ampla; um comportamento total que envolve sentimentos, pensamentos, expressão verbal e prática do que se fala. No amor está imbuído o tríplice aspecto da conduta humana: afectividade, cognição e acção. Os aspectos do sentir, pensar e agir são inseparáveis no amor. Mas estou a falar de amor, na mais sublime expressão da palavra, ou seja, entrega plena do outro. É um acto de risco que exige muita coragem, porque existe o perigo da rejeição. Por isso, é um acto adulto que requer maturidade. E é nesse acto que as pessoas crescem e o casamento prospera. Diante do amor, o sociopata mente, chantageia, porque não o conhece; o neurótico percebe-o, mas pára e congela de medo. A entrega plena, implícita no amor, é impossível àquele cuja personalidade é doentia.
O amor é um princípio que governa a vida interior e exterior do indivíduo. Repercute por dentro e por fora; jorra de dentro para fora. Não é um verniz falsificado de etiquetas sociais, nem um esmalte egoísta disfarçado de boas acções. Na manifestação do amor, quando o parceiro diz que o sente, está a falar verdade, porque dentro de si há um princípio que governa a vida, confirmando as suas palavras. O amor é uma virtude que o ser humano não pode represar dentro de si. É uma força dinâmica que requer exteriorização. Precisa de ser revelado para a esposa e para o marido. É a palavra que precisa de ser dita bem alto, acompanhada de acções práticas. Sem a concretização da promessa, a palavra é inútil para expressar o amor.

A Palavra em Acção
No diálogo do amor profundo, são os actos que gritam e as palavras nada exprimem. O grito do amor é silencioso. É um diálogo em que a verbalização emudece e a prática emite o som mais alto. São as realizações de um para o outro que falam. Aparentemente paradoxal, as palavras trocadas não são meras palavras, mas uma acção viva. O que se diz, promete, sonha e se imagina deve ser transformado em realizações. Nesse diálogo não existem palavras sem conteúdo. O que é feito para o outro é uma acção sem alardes, cobranças, exigências ou imposições.
Só crescemos em amor, dentro do casamento, quando conseguimos captar o que é o cônjuge na realidade. Nessa altura saímos de nós mesmos e identificamo-lo connosco. Nessa identificação,
abrimo-nos à sensibilidade necessária para o aceitar com todo o seu potencial e todas as limitações, o lado forte e o lado fraco também. Deixamos que ele viva ao nosso lado e vivemos a nossa vida ao seu lado. As suas necessidades são tão prioritárias como as nossas. O que o marido necessita a mulher também necessita. Crescer em amor, no casamento, é respeitar mutuamente as necessidades e tentar supri-las com o mesmo afinco com que procuramos suprir as nossas. Isso é amor.
Belisário Marques
Psicólogo

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comentários
  1. flavio disse:

    46-I Coríntios Capítulo : 13

    1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.

    2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

    3 E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

    4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece,

    5 não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal;

    6 não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade;

    7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

    8 O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

    9 porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos;

    10 mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.

    11 Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

    12 Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.

    13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.

  2. Cleiton jean gomes dos santos disse:

    é flavio…essa é a pura verdade…
    abrçs

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